A propaganda (não) é a alma do negócio

O Spotify tinha um objetivo: queria aumentar o consumo de músicas do estilo Hip Hop no Brasil. Para isso, desenvolveu um projeto inusitado. Por meio de uma rede neural artificial, ou seja, modelos computacionais que utilizam o sistema nervoso central como modelo de aprendizagem,  foi possível resgatar manuscritos póstumos do rapper Sabotage para que servissem de base para uma nova canção original do cantor falecido em 2003. Resultado? O sucesso da iniciativa fez com que o gênero musical alcançasse o primeiro lugar nos rankings do streaming de música.

O caso foi relatado por Roberto Martini, CEO da agência Flag, convidado da última reunião conjunta das comissões Mercado Imobiliário e Comunicação e Marketing da Câmara de Comércio França-Brasil de São Paulo (CCIFB-SP). O encontro foi realizado no dia 24 de abril. Segundo o especialista, a iniciativa do Spotify é um modelo do que será a comunicação das marcas no futuro.

Martini acredita que o nível de conexão que existe hoje na internet faz com que um bom produto possa prescindir da propaganda. Empresas e pessoas compartilham espontaneamente o sucesso, tal qual o tradicional boca a boca. Para o empresário, se a oferta exigir muita comunicação, o problema deve estar no que está sendo ofertado e não nas estratégias de divulgação. O publicitário segue o que prega. As suas empresas não têm site ou contas nas redes sociais, por exemplo.

Em um mundo no qual a mudança não é uma opção, Martini prega que todas as iniciativas devem estar calcadas em variáveis essenciais. Segundo ele, são quatro pilares que devem se alterar pouco: a fragmentação, a horizontalidade, a transparência, a veracidade e a consciência.

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