As soluções de startups para os desafios da mobilidade urbana

O morador de São Paulo costuma gastar uma hora e 44 minutos em média por dia no trânsito da cidade. Já o carioca perde ainda mais: uma hora e 52 minutos. Enquanto o transporte coletivo avança em velocidade lenta, a frota de carros na capital paulistana, por exemplo, dobrou em dez anos e a de motos subiu 150%. A situação é de um verdadeiro caos na mobilidade urbana nos grandes municípios brasileiros, o que vem motivando o surgimento de startups para vencer esses desafios.

Não por outro motivo, a questão da mobilidade urbana foi o tema da última reunião da Comissão de Startups da Câmara de Comércio França-Brasil de São Paulo (CCIFB-SP) no dia 17 de maio. Foram convidados representantes de quatro iniciativas para explicar as soluções que trazem para vencer o desafio da locomoção nos grandes centros.

Ricardo Amaral veio tratar da Startico, uma proptech que atua na área de office-as-a-service. Ele tratou do pouco alcance das recentes alternativas de micromobilidade – tais como bicicletas e patinetes – que atingem apenas 0,9% da população de São Paulo, enquanto o transporte público de massa é responsável por 36%. Segundo ele, esses dados mostram que – antes de novos modais – a solução do caos no trânsito passa por diminuir a necessidade de deslocamentos, por desenvolver os bairros onde as pessoas vivem e pelas efetivas parcerias público-privadas.

Cesar Concone veio falar da Box Office, uma startup que pretende instalar salas de escritórios de 5 metros quadrados – com Wi-Fi, ar-condicionado e móveis – em shoppings, aeroportos, universidades, de maneira a propiciar novos e flexíveis espaços de trabalhos para pessoas e organizações. A reserva da sala e o acesso podem ser feitos diretamente pelo app da empresa, que já conta com uma unidade em operação no Shopping Market Place em São Paulo.

Daniela Coimbra, da Swiatek, foi uma das criadoras do MobiLab da Prefeitura de São Paulo. Especialista em mobilidade urbana, ressaltou a necessidade de regulação do setor público para as novas iniciativas, mas sempre com base no diálogo. Para ela, é fundamental que haja parceria entre governo e startups, de maneira a propiciar que a geração e o tratamento sofisticado de dados sobre transporte possibilitem políticas públicas baseadas em evidências.

Bruno Boog tratou da Kwfleet, uma startup com foco no transporte de produtos. A iniciativa é voltada sobretudo para a questão da redução da poluição, que mata 7 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A ideia da empresa é propiciar uma frota de veículos elétricos para os clientes, com a instalação de eletropostos dentro das unidades empresariais, todos abastecidos por meio de energia solar.

Ana Guerrine, diretora de Políticas Públicas da 99, tratou das parcerias que a controladora de sua empresa, a chinesa Didi , realiza com o setor público na China para gerar soluções em mobilidade urbana. As iniciativas são concentradas basicamente em semáforos inteligentes e em redes de ônibus digitais, com resultados comprovados. A ideia é reproduzir esses projetos em cidades brasileiras.

Segundo a diretora da 99, de cada 100 metros quadrados construídos em São Paulo, 50 destinam-se para estacionamentos de automóveis. Só na capital paulista, há um enorme contingente de 413 mil vagas de ruas, entre livres e de Zona Azul.  Em um estudo conduzido pela empresa em parceria com a Fipe, da USP, constatou-se que o uso do app da 99 gera a disponibilidade de 78 mil desses espaços nas vias, permitindo o deslocamento de pessoas. Isso porque 85% dos usuários da startup vêm de indivíduos que usavam carros próprios.

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