CCI França-Brasil e ONU Mulheres promovem debate sobre equidade de gênero nas empresas e cidades inclusivas

Encontro marcou reflexões em torno do Dia Internacional das Mulheres, reunindo executivas e especialistas em uma manhã de diálogos e troca de experiências

 

Promover debates sobre a cooperação entre setor produtivo e agentes públicos para formação de cidades mais inclusivas e estimular o desenvolvimento econômico sustentável têm sido pauta das ações da CCI França-Brasil. No mês de reflexão em torno do Dia Internacional das Mulheres, esses temas foram destaque através de encontro promovido em parceria com a ONU Mulheres, e apoiado pela Fábrica de Startups e Leroy Merlin.

Executivas e especialistas debateram como promover a equidade de gênero nas empresas e quais são os desafios e projetos viáveis para tornar as cidades mais inclusivas no âmbito das mulheres. Com moderação da jornalista Ruth de Aquino – Prêmio Personalidade França-Brasil 2018 – e de Rodrigo Santiago, coordenador da Comissão de RSE da Câmara e Diretor de Relações Institucionais da Michelin, os painéis empresarial e de políticas públicas guiaram as discussões durante uma manhã dedicada ao diálogo e à troca de experiências, na sede da Fábrica de Startups, zona portuária do Rio.

“A Câmara de Comércio França-Brasil acredita que sociedades inclusivas, inovadoras e sustentáveis são possíveis através da troca de experiências e promoção da diversidade, em todas as suas dimensões. O que estamos fazendo hoje nesse encontro dialoga com outras atividades já realizadas ou em curso, em parceria com stakeholders internos e externos, conjugando temas-chave da Câmara: inovação, responsabilidade social empresarial e sustentabilidade”, explicou Jaqueline Saad, Diretora-Executiva da CCIFB-RJ, ao abrir o evento.

Hector Gusmão, cofundador da Fábrica de Startups, citou estudo recente da Boston Consulting Group (2018) que mostra um pouco do panorama mundial do empreendedorismo voltado para startups. De acordo com os dados, a mulher ainda é minoria nesse segmento, que conta com 42% de startups fundadas por mulheres, entretanto, o faturamento gerado por elas é 10% superior na comparação com startups lideradas por homens. “Queremos fomentar discussões que abordem como as mulheres podem ampliar sua participação nos sistemas de inovação aberta da cidade do Rio de Janeiro. Um dos focos da Fábrica de Startups é pensar sobre a criação de novos dinamismos para inovação na cidade, e o tema do encontro de hoje está bastante inserido com o que pensamos ao elaborar esse espaço de debate”, relatou.

Ana Carolina Querino, Representante Interina da ONU Mulheres Brasil, explicou como a instituição atua em prol da promoção do desenvolvimento econômico sustentável, liderança de mulheres e equidade. Ela apresentou o projeto Ganha-Ganha: Igualdade de gênero significa bons negócios, que através de boas-práticas e da ferramenta WEPs (sigla em inglês para Princípios de Empoderamento das Mulheres) orienta empresas a desenvolver ações e planos inseridos na perspectiva de gênero. No Brasil, são mais de 200 corporações signatárias à iniciativa, incluindo inúmeras filiais de grandes empresas francesas. “Se uma empresa tiver ao menos uma mulher no conselho de administração, temos estudos que apontam a possibilidade de aumento de 44% do lucro”, afirmou ao ressaltar a importância da participação de mulheres nas principais esferas de decisão. Ela ainda reforçou o papel das redes de cooperação. “A equidade não está somente relacionada às mulheres, e a responsabilidade não está apenas com o governo. Conseguimos inovar quando novos atores e novas atrizes, com novas estratégias e experiências, se somam nessa caminhada”.


Painéis em ação

Signatário dos Princípios de Empoderamento da ONU Mulheres, o BNP Paribas foi uma das empresas a integrar o primeiro painel de debate. Lucimara Ferreira, responsável pelo setor de Diversidade e Inclusão do banco, destacou a importância do engajamento de lideranças em iniciativas inclusivas. “Nosso CEO global nos fornece muito apoio, e nossa CEO no Brasil é uma mulher, Sandrine Ferdane. Estamos desenvolvendo um Comitê de Diversidade, com a participação de várias áreas. O envolvimento de executivos de nível sênior nessas ações é muito importante”. Por atuar no mercado financeiro, área onde a presença de mulheres ainda é bastante desigual, o BNP investe em iniciativas para combater o viés inconsciente e debater a equidade de gênero através de ações que estimulem a participação dos homens nas conversas, como a campanha Eles por Elas, da ONU Mulheres.

Aproximar o tema da equidade de gênero de executivos e executivas da liderança, e engajá-los, é a proposta do projeto Diversity Champion, desenvolvido pela L’Oréal.  Ana Abdalah, Coordenadora de Diversidade da empresa no Brasil, explicou que a ideia é ter um representante do negócio como um sponsor da diversidade.  “O sponsor tem o papel fundamental de defender e levar a diversidade para o Comitê Executivo. É natural que a diversidade esteja dentro da célula de RH das empresas, mas consideramos muito importante ter alguém do negócio para ser uma voz ativa desse tema dentro da organização”. A empresa possui ainda no Brasil o programa L’Oréal Plural, que trabalha a cultura de inclusão entre colaboradores e nas comunidades do entorno e, em parceria com a UNESCO e a Academia Brasileira de Ciências, promove anualmente o prêmio “Para Mulheres na Ciência”.

Lívia Lopes, Analista de Sustentabilidade da Leroy Merlin, trouxe os temas-chave da empatia e sororidade para o debate. O Grupo criou o Museu da empatia, inciativa desenvolvida para que todos os colaboradores pudessem ter um espaço para falar das suas expectativas e dificuldades, com objetivo de mobilizar as lideranças. Já a ação Mamãe Madrinha promove o diálogo e a ajuda mútua entre as mulheres. “O programa é uma forma de levar sororidade para o corporativo. Uma mulher líder apadrinha uma mãe que está chegando para compartilhar experiências e dar suporte em momentos como amamentação, conciliação de trabalho e maternidade, entre outros”, explicou Lívia.

O debate empresarial ainda teve a participação de Sylvia dos Anjos, Gerente Geral de Applied Technologies de Libra, da Petrobras, que ressaltou os desafios e as oportunidades no setor de Petróleo & Gás. Dentre as ações citadas para promoção da diversidade, ela destacou o Prêmio Melhores Fornecedores, iniciativa que incluiu a categoria Prêmio Especial de Equidade em sua edição 2018.

O último painel discutiu como as cidades podem ser pensadas para as mulheres em parceria com o setor produtivo, tendo a participação de Clarisse Cunha Linke, Diretora Executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento – ITDP; Renata Avelar Giannini, Coordenadora de Segurança Pública e Justiça Criminal do Instituto Igarapé; Ahnis Fraga, responsável pelo Programa “Cidade como serviço”, da Fábrica de Startups; e Teresa Borges, Gerente de Programa do Columbia Global Centers Rio de Janeiro.

Confira o álbum de fotos do evento:

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