Comunicação Corporativa e RSE: quais os aprendizados e o possível legado para as empresas com a pandemia

Saiba como reflexões e ações em prol da solidariedade e sustentabilidade têm impactado o papel da comunicação nas organizações

 

Qual o papel da comunicação corporativa nas iniciativas de responsabilidade social empresarial (RSE) no contexto da pandemia? Como as reflexões e ações em prol da solidariedade e da sustentabilidade em meio à crise covid-19 fortalecem sinergias entre essas duas áreas? Para debater o tema e compartilhar boas práticas, a CCI França-Brasil realizou um bate-papo online com representantes das empresas francesas Michelin, L’Oréal Brasil, EDF Norte Fluminense, ENGIE Brasil e Voltalia, no dia 09 de junho. 

Glauce Ferman, Diretora de Comunicação e Marcas para Michelin América do Sul e Coordenadora da Comissão de Comunicação da CCIFB-RJ, mediou a primeira parte do debate. De acordo com a profissional, ações de RSE dão suporte a um modelo de negócios de longo prazo, priorizando sistematicamente as demandas de stakeholders. Com a pandemia, questões emergentes puderam ser identificadas e estão em reflexão. Entre elas, a inexistência de fronteiras entre o interno e externo. Todas as frentes da empresa se comunicam o tempo todo e produzem conteúdo relevante; em segundo, a necessidade do “fazer” (doing), colocando o storytelling sob uma nova visão; e por fim, o entendimento da comunicação como uma ferramenta não só de gestão de crise, mas capaz de fazer valer um compromisso genuíno e verdadeiro das empresas. 

Para Maya Colombani, Diretora de Sustentabilidade da L’Oréal Brasil, dois fatores foram fundamentais para transformações no Grupo: empatia e humildade. Segundo ela, o trabalho remoto, em meio a rotinas diversas e adaptações, criou um ambiente de solidariedade onde todos os colaboradores procuraram exercer o seu melhor. Já a constatação de que há adversidades com soluções a serem exploradas e construídas, trouxe à tona fragilidades capazes de mostrar a força em grupo. 

“Estes dois pontos levaram a uma energia coletiva de ação. Os colaboradores se perguntaram como poderiam contribuir. Por outro lado, o setor privado sempre considera como entregar os melhores resultados. Desse modo, montamos um Programa de Solidariedade que engajou todos, desde estagiários até nossa presidente. Em quatro dias, desenvolvemos uma fórmula de álcool em gel que até então não produzíamos”, contou. 

O Programa de Solidariedade da L’Oréal Brasil iniciou em abril com a produção industrial de 170 toneladas de álcool gel em sua fábrica de São Paulo para doar a hospitais públicos e comunidades. Além da distribuição gratuita do produto, a L’Oréal tem realizado doações de outros itens de higiene e cuidado pessoal. No total, serão doados mais de 750 mil produtos para diversas regiões do país.

 

Propósito e voluntariado empresarial

A importância de fortalecer propósito e redes também foi lembrada durante a live. Para Flávia Teixeira, Gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética na ENGIE Brasil, “este é o momento para reforçarmos o propósito das organizações e identificar parceiros, denominadores em comum para seguirmos. A grande lição que temos neste período é a capacidade das empresas se reinventarem na busca por soluções não só internas mas nas comunidades onde estão presentes”, avaliou. 

Cristina Ribeiro, Responsabilidade Social Corporativa na ENGIE Brasil, trouxe para o debate a relevância do voluntariado empresarial. “Se antes tínhamos o voluntariado como um dos braços da RSE na implantação de projetos, neste período a prática se mostrou mais do que isso, ocupando um pilar essencial. Esse entendimento dará um novo olhar a respeito do que virá pela frente”, pontuou. 

Entre as iniciativas, a ENGIE Brasil desenvolveu junto aos seus colaboradores uma campanha para incentivá-los a doar a instituições parceiras especializadas na distribuição de cestas básicas para comunidades carentes. Nesse programa, para cada Real doado pelo funcionário, a empresa contribui com o mesmo valor. Cerca de R$ 250 mil foram arrecadados com a participação de 1.160 colaboradores, ajudando 33 instituições próximas das sedes, usinas e escritórios da ENGIE no país.

 

Um novo olhar para as demandas das comunidades e do público interno

Para EDF Norte Fluminense, entre as transformações no período da pandemia estão a importância do fator humano e a aceleração digital. “Entramos no núcleo familiar dos colaboradores e foi possível aproximar as relações entre empresa e pessoas, conhecendo aspectos que no ambiente de trabalho convencional precisaríamos de um espaço de tempo maior para entender. Isso agregou nosso olhar para a saúde de todas as equipes”, contou Hugo Fumian, Coordenador de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente do Grupo. 

No âmbito das relações da organização com a comunidade e colaboradores, Marcia Domenech, Gerente de Comunicação e Marketing da Voltalia na América Latina, lembrou do fortalecimento da comunicação humanizada, prática que deverá guiar as empresas no pós-Covid. “Construir relações de confiança é fundamental para termos a comunicação de forma efetiva e empática”, destacou. Entre diversas iniciativas, a empresa desenvolveu ações de cooperação em conjunto com seus colaboradores, atingindo a adesão de 80% dos funcionários do Grupo.  

O encontro contou ainda com a mediação de Rodrigo Santiago, Coordenador da Comissão de RSE e Sustentabilidade da CCIFB-RJ e Diretor de Relações Institucionais da Michelin para América Latina. 

 

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