Os desafios da política comercial brasileira no pós-pandemia

De acordo com Rabih Nasser, sócio da Nasser Sociedade de Advogados, no período pré-pandemia a política econômica brasileira estava focada em três eixos: abertura comercial, integração econômica e fomento da agenda de compromissos internacionais. Segundo ele, também foi uma constante do governo atual tentar realizar uma maior integração com os países da América Latina, bem como uma maior abertura da política comercial. Nasser participou, no dia 21 de julho, de live realizada pela comissão de comércio Exterior da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP). O último encontro debateu a aproximação do Brasil com os EUA e pode ser lido aqui. 

Para o especialista, o avanço efetivo dessas ações continua lento. Um dos paradoxos apontados é que a política comercial brasileira representa apenas cerca de 23% do Produto Interno Bruto (PIB). A média mundial é de 44% do PIB. Outro ponto destacado por Nasser é que mais de 90% das exportações brasileiras são realizadas por grandes empresas. Segundo ele, as médias e pequenas organizações estão praticamente fora da política comercial global. 

Segundo Nasser, a adoção de medidas de emergência de saúde pública é o que norteia a política comercial brasileira durante a pandemia. O especialista ressaltou que cerca de 500 produtos tiveram autorização de importação liberada mesmo sem a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), contando com o registro em outros órgãos. 

No cenário pós-pandemia, a política comercial brasileira terá de enfrentar desafios relevantes, segundo Nasser como: a crise do multilateralismo e da Organização Mundial do Comércio (OMC), os possíveis efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, as perspectivas de avanço da agenda externa e a visão do País frente às tensões internacionais. Entre as tendências que devem se manter estão o aumento das exportações de produtos agrícolas principalmente para a China e a dificuldade de exportação de produtos manufaturados.

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